quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Li em um provérbio chinês: "Com Palavras, vale viver duas vezes"
Propus-me a recriá-lo com palavras poéticas:

Como me expressar
Do frio que senti
Quando o procurei
E não o vi

Os anos passaram,
Sinto-o perto numa canção
A ferir no meu coração

A vida continua a me lembrar
Do seu olhar a me pedir

Pergunto-me, por que não o fiz?
Um dia, em algum lugar
Vamos nos encontrar
Desfazer o que a vida não quis
Para sermos um só, feliz

Ailezz

domingo, 13 de setembro de 2009



Esmeraldas do mar

Seu canto de anjo
Faz-me acalmar e calar
Poder acordada voar
Nas águas esmeraldas do mar
À procura de algo
Que não posso revelar
Nesse encanto acordo
Do sonho acordado
E triste fico a perguntar
Por que realidade
Quiseste me acordar?

Deixe-me continuar a sonhar
Ouvindo a sonoridade
Das esmeraldas do mar

Junto a esse canto de anjo
Que me faz acalmar

Ailezz


O Bambino do violino

A calçada era comum
Uma bela fonte a jorrar
Um belo italiano bambino
Abraçado ao seu violino
Com olhos a catar
A quem pudesse chegar
Suas vestes condiziam
A necessidade sentida
Mas seu alegre olhar
Não podia esconder
Sua vontade de ajudar
Os passantes a sonhar

As muitas moedas roladas
Ficavam sofisticadas
Como a melodia por ele tocada
Revelava o bom das saudades
Aquelas alegres, gostosas
Nunca esquecidas
Que um dia foram vividas

Ele tinha o poder
De oferecer sem perceber
Alegrar os corações
Com acordes de emoção
E talento exímio
De um belo italiano bambino

Ailezz

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Era uma vez...
Uma menina destinada a ser sempre jovem. Hoje com a idade de bisa, seu espírito tem a juventude de menina. Quando jovem, passeava com seu cavalo meio manco que tinha uma virtude, era manso. Às vezes a surpreendia com o seu agachar, parecia querer brincar de lhe assustar. Certa vez, sentiu sede e procurou um riacho para saciá-la. Avistou um lindo casebre, solto num cenário belo da natureza. As cores do por do sol lhe tingiam uma harmoniosa tranquilidade do que fazia. Ao se aproximar, ela admirava toda a limpeza. Uma varanda fresca com um pé de sapoti que lhe sombreava, o cavalo, até relinchava aliviado do sol que o atingia. O chão de terra batida brilhava com desenhos irregulares das muitas varridas. A dona da casa apareceu rindo, antes de falar. Faltavam-lhes dentes, mas suas rugas não eram feias, eram bem feitas, contornando sua beleza de mulher vivida nos trabalhos do campo. Sua alegria revelava uma vida bonita e livre. Dentro do casebre, era um luxo na simplicidade e limpeza, uma cama larga, para receber seu amado. Em frente à porta, onde passava um ventinho, dois banquinhos juntinhos, para as horas de conversas e carinhos. Na janela, um jarro de flores amarelas, na parede um quadro de Jesus e Maria pintados em aquarela. Perto da porta do fundo, um pote com água fresquinha coberto com um pano azulado de tão branquinho, com duas canecas a brilhar, de alumínio. Saciada da sede e de tanta harmonia, certa de não ser preciso de muito para viver, seguiu feliz. O cavalo esqueceu-se de mancar, a menina ao voltar cantou uma linda melodia que até hoje gosta de cantar. A que faz seu coração acalentar.

Ailezz

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

(Em homenagem a minha bisnetinha Maria Júlia)

É tão bom
Sentir a emoção
De falar com o coração
Sentir um friozinho na barriga
Com a alegria sempre presente

Olhar para o mundo
Com sabedoria inocente
Que olha e ri
Sem poder distinguir
O bom do ruim

Poder seus braços abrir
Querendo abraçar o mundo
Como uma criança
Abraça qualquer um
E com inocência sorri

Ailezz



Ao acordar
Agradecer e imaginar
Um sentimento bonito
Viajar no imaginário
Nas areias do mar

Não precisas caminhar
Só flutuar e se despir
De tudo o que está a te ferir

Mergulhar nesse mar
Curvar-se para as ondas
Quando te alcançarem
Banhado e abençoado sairás

Agora com pés no chão
Sentirás a emoção
De pés a te acompanharem
Retribuindo teu sentimento
Ao acordar

Ailezz

terça-feira, 25 de agosto de 2009



Chegamos despidos

Sem anseios, punidos
Nosso olhar é um anuviar
Para a realidade não ofuscar

Pequenos, corremos nus
Alegres sem medo
Ou vergonha de nos mostrar

A vida na sua magia
Começa a nos vestir
Com ditados a nos obsedar
A vergonha a nos constranger
O porquê de ferir ou nos ferir
Mas a vida amiguera
Ensina a nos revestir

Lembrando a criança
Adormecida em nós
Mergulhá-la sem medo
Despindo-se da vergonha
Esquecendo a tristeza

Voltando a rir, brincar e balbuciar
Para a vida continuar

Ailezz