segunda-feira, 12 de outubro de 2009



Mundo lindo

Difícil de o compreender
O que podemos dizer
Se você nos faz tremer
De ver, sentir e sofrer

Ouvi de uma sábia iletrada
Após a tempestade
A bonança nos acalma
Perdoem-me, sábia e mundo lindo
Se estiver a lhes cobrar
Vejo tanto sofrimento ficar!

Suplicas e lagrimas de irmãos
Sem morada, sem saberem
Que em outras moradas irão!

Pergunto, com todo respeito
De uma simples mortal,
Louca para entender,
Porque num lindo mundo
Precisamos tanto sofrer?

Ailezz

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Espelho

Fiel espelho questionou-me:
- Você mudou?
Não compreendi
- Você fugiu?

Olhei-me e me entendi
A pouca beleza brejeira
Que fugiu pelas rugas matreiras

Ri de me ver uma careta fazer
Ri muito mais ao lembrar
O que guardo no meu eu

A beleza não enruga
Ela é sábia e muda
Gosta da vida, beleza
Admira suas gostosuras
Perdoa as impurezas
Respeita sua certeza

Com sorte, todos viajarão
Nessas rugas aclamadas
Como eu estou, viajada
E serão felizes como eu
Amando e sendo amada

Ailezz
Li em um provérbio chinês: "Com Palavras, vale viver duas vezes"
Propus-me a recriá-lo com palavras poéticas:

Como me expressar
Do frio que senti
Quando o procurei
E não o vi

Os anos passaram,
Sinto-o perto numa canção
A ferir no meu coração

A vida continua a me lembrar
Do seu olhar a me pedir

Pergunto-me, por que não o fiz?
Um dia, em algum lugar
Vamos nos encontrar
Desfazer o que a vida não quis
Para sermos um só, feliz

Ailezz

domingo, 13 de setembro de 2009



Esmeraldas do mar

Seu canto de anjo
Faz-me acalmar e calar
Poder acordada voar
Nas águas esmeraldas do mar
À procura de algo
Que não posso revelar
Nesse encanto acordo
Do sonho acordado
E triste fico a perguntar
Por que realidade
Quiseste me acordar?

Deixe-me continuar a sonhar
Ouvindo a sonoridade
Das esmeraldas do mar

Junto a esse canto de anjo
Que me faz acalmar

Ailezz


O Bambino do violino

A calçada era comum
Uma bela fonte a jorrar
Um belo italiano bambino
Abraçado ao seu violino
Com olhos a catar
A quem pudesse chegar
Suas vestes condiziam
A necessidade sentida
Mas seu alegre olhar
Não podia esconder
Sua vontade de ajudar
Os passantes a sonhar

As muitas moedas roladas
Ficavam sofisticadas
Como a melodia por ele tocada
Revelava o bom das saudades
Aquelas alegres, gostosas
Nunca esquecidas
Que um dia foram vividas

Ele tinha o poder
De oferecer sem perceber
Alegrar os corações
Com acordes de emoção
E talento exímio
De um belo italiano bambino

Ailezz

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Era uma vez...
Uma menina destinada a ser sempre jovem. Hoje com a idade de bisa, seu espírito tem a juventude de menina. Quando jovem, passeava com seu cavalo meio manco que tinha uma virtude, era manso. Às vezes a surpreendia com o seu agachar, parecia querer brincar de lhe assustar. Certa vez, sentiu sede e procurou um riacho para saciá-la. Avistou um lindo casebre, solto num cenário belo da natureza. As cores do por do sol lhe tingiam uma harmoniosa tranquilidade do que fazia. Ao se aproximar, ela admirava toda a limpeza. Uma varanda fresca com um pé de sapoti que lhe sombreava, o cavalo, até relinchava aliviado do sol que o atingia. O chão de terra batida brilhava com desenhos irregulares das muitas varridas. A dona da casa apareceu rindo, antes de falar. Faltavam-lhes dentes, mas suas rugas não eram feias, eram bem feitas, contornando sua beleza de mulher vivida nos trabalhos do campo. Sua alegria revelava uma vida bonita e livre. Dentro do casebre, era um luxo na simplicidade e limpeza, uma cama larga, para receber seu amado. Em frente à porta, onde passava um ventinho, dois banquinhos juntinhos, para as horas de conversas e carinhos. Na janela, um jarro de flores amarelas, na parede um quadro de Jesus e Maria pintados em aquarela. Perto da porta do fundo, um pote com água fresquinha coberto com um pano azulado de tão branquinho, com duas canecas a brilhar, de alumínio. Saciada da sede e de tanta harmonia, certa de não ser preciso de muito para viver, seguiu feliz. O cavalo esqueceu-se de mancar, a menina ao voltar cantou uma linda melodia que até hoje gosta de cantar. A que faz seu coração acalentar.

Ailezz

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

(Em homenagem a minha bisnetinha Maria Júlia)

É tão bom
Sentir a emoção
De falar com o coração
Sentir um friozinho na barriga
Com a alegria sempre presente

Olhar para o mundo
Com sabedoria inocente
Que olha e ri
Sem poder distinguir
O bom do ruim

Poder seus braços abrir
Querendo abraçar o mundo
Como uma criança
Abraça qualquer um
E com inocência sorri

Ailezz