sábado, 6 de março de 2010
Assis, com ternura
Flutuar, sem poder falar
Adentrando numa visão
De beleza lírica, magnífica
A paisagem numa mistura
De grandiosa ternura
Montanhas e céu longínquos
Azulados e mesclados
De cores anuviadas
Presente para os merecidos
Que flutuam abnegados
De sentimento calado
O santuário, que coisa bela!
Nele é incrustada uma capela
De pedras testemunhas
Da verdadeira bondade
Do grande e humilde Francisco
No jardim encantado de Clara
Nunca machucado ou murchado
Com flores a perfumar
Cheiro dos lírios, eu senti
E como não entendi
Chorei e agradeci.
Ailezz
Difícil caiar o medo
Quando ventos chegam
Assustadores, gritantes
Semeados sofrimentos
Na vida dos esperançosos
De dias melhores
Com seu lúdico malvado
São levados e machucados
Sem tempo de correr
Refletir ou se esconder
Do lúdico vento
Quando mudos, longínquos
Desculpando-se da avaria
Mostra-nos o prosaico
Um céu límpido bonito
Com estrelas a brilhar
Que acabou de limpar
Tudo não está perdido
Quando pudemos olhar
O universo na recíproca
Do fitar
Ailezz
quinta-feira, 4 de março de 2010
Lua cheia
Tudo se descortina
Em pura linda magia
O céu de azul-prússia
Passa para o azul-celeste
E as estrelas agradecem
O casal a se arrepiar
Com vontade de amar
A lua na nuvem se esconde
Animando, provocando
O aconchego do casal
O mar transforma-se
Num prateado azulado
Com intuito provocado
Do acasalamento bendito
Dos seus moradores amados
A lua se despenteia
A clarear todos que a rodeia
Mexe com tudo e todos
Das lembranças a devaneios
Ri do seu bom altruísmo
Poderosa, sem preconceitos
Na sua beleza de lua cheia
Ailezz
domingo, 7 de fevereiro de 2010
A artista plástica e escritora Ailezz, alcunha de Zélia Silva Rocha, lança neste domingo (7), às 17h, no espaço de eventos da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sergipe (Aease), seu segundo livro “A Morada Feliz”. Produzido de forma independente e recheado de ilustrações da própria escritora e de sua filha, Lau, “A Morada Feliz” conta a estória de Bendito, um garoto negro, abandonado pelo pai, que foi criado por uma moradora de rua. Após a morte desta, ele recebe a proteção de um anjo da guarda, que vai acompanhá-lo durante sua caminhada para o amadurecimento. São nas adversidades encontradas pelo garoto, que a escritora procura mostrar ao leitor mirim, sempre o lado otimista do personagem.
“A estória é puramente ficcional, ainda que muitos garotos de rua possam ser como Bendito. Inspirei-me numa dessas crianças que vejo na rua, no dia-a-dia, que apesar das dificuldades, sempre estampa um sorriso no rosto”.
Assim como fez com “Zelinha me contou...”, seu livro de estreia, lançado em 2008, Ailezz pretende distribuir exemplares de “A Morada Feliz” para creches, orfanatos e até instituições além fronteiras. O primeiro livro, por exemplo, foi parar em Angola, na Casa da Cultura Brasil-Angola. Lá, dentro do projeto “Sopa de Letrinhas”, lançado em julho do ano passado, em Luanda, o título foi inserido na lista de publicações que servem como fonte dos contadores de estória. A iniciativa visa igualmente divulgar ao público angolano a literatura infantil brasileira. “Um dos meus filhos trabalha no exterior e sempre vai àquele país. De modo que ele soube dessa iniciativa da Casa Cultura Brasil-Angola e apresentou ‘Zelinha me contou...’. Eles gostaram e decidiram adotar o livro como um dos que os contadores de estória interpretam. Fiquei muito feliz com essa repercussão”, diz a escritora septagenária, que já trabalha na produção de “Zelinha Ouvindo as Crianças”.
No evento de domingo, que contará com um coquetel todo especial, a animação ficará por conta da banda A Casa do Zé, que pretende contagiar a todos resgatando as músicas de cirandas. A Aease está localizada ao lado do Parque da Sementeira.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Vaga-lumes
Luzes da natureza
As matas lhes agradecem
Na solidão das noites sombrias
Quando a lua se esconde
Vocês, bons vaga-lumes
Fazem-lhes companhia
Elas adormecem tranquilas
À espera de um novo dia
Sua luz, vaga-lume
É a mesma
Que me iluminou
Ao fugir das noites sombrias
Clareando meus sonhos
Acordando no outro dia
À procura de aprender
A acender minha luzinha
E com amor clarear
A escuridão dos tristes
Como vocês, vaga-lumes
Iluminam as matas sombrias
Nosso amor, vaga-lumes
Ninguém questionará
Quando nossa luz clarear
Ailezz
Os viajantes
Vidas que se apagam
Ou simplesmente viajam
Merecidas de tudo
Loucamente abreviadas
As lágrimas derramadas
Por certo, lavarão suas almas
Certezas, deverão ter
Num lugar bonito
Nessa viagem irão viver
Chega de sofrimento
Nosso Pai do céu
Sabe escrever certo
Por linhas incertas
Devemos segurar a sua mão
E lhe pedir perdão
Pela revolta e aflição
Será que essa viagem
Não foi programada
Para os viajantes
Receberem o perdão
E seguirem numa dimensão
De amor e compreensão?
Ailezz